NBR 12693:2021 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio

Os conceitos básicos de medidas de prevenção e combate a incêndio e pânico foram discutidos aqui no site, em duas partes: Parte 1 e Parte 2. Entre as medidas ativas de prevenção e combate, os extintores são equipamentos amplamente utilizados para combater princípios de incêndio.

Assim, o artigo de hoje traz o dimensionamento e a implantação dos sistemas de proteção por extintores de incêndio de acordo com a NBR 12693:2021, apresentando os principais conceitos e diretrizes necessários a esse projeto.

Princípios gerais

Fácil manuseio

Os extintores possuem como princípio básico a possibilidade de ser utilizado por qualquer pessoa. Por isso, devem possuir instruções de uso e mecanismos de acionamento que possibilitem a uma pessoa, que nunca tenha utilizado um extintor antes, entender rapidamente seu funcionamento e utilizá-lo em um princípio de incêndio.

Combate imediato

Por ser um instrumento que necessita de uma facilidade em seu uso, os extintores não podem possuir peso elevado e, assim, têm menor carga extintora. Com isso, a sua utilização se limita ao combate apenas inicial de um incêndio, servindo para suprimir princípios de incêndio ou controlar as chamas até que seja possível a utilização de outra ferramenta com uma capacidade extintora superior (como hidrantes, por exemplo).

Classes de incêndio

Os incêndios são divididos em classes, de acordo com o seu material combustível. São classificados em 5 tipos: A, B, C (classes básicas), D e K (classes especiais). 

A – Incêndios provenientes da combustão de papéis, madeiras e todo material que ao queimar deixam resíduos;

B – Incêndios provenientes da combustão de gases e líquidos inflamáveis;

C – Incêndios iniciados em dispositivos elétricos energizados;

D – Incêndios gerados a partir da reação de metais combustíveis;

K – Incêndios provenientes da queima de óleos e gorduras, ocorridos em cozinhas industriais. 

Existem diversos agentes de extinção do fogo, sendo que os mais comumente utilizados são a água, o gás carbônico (CO2) e o pó químico seco (PQS).

O mais importante será escolher o agente extintor que atenda às classes de incêndio requeridas para o projeto!

A tabela abaixo auxilia nessa escolha. 

Também é importante salientar que um extintor PQS pode atender apenas à classe D, às classes B e C ou às classes A, B e C. Por isso, é necessário ver a especificação do produto na hora de comprar.

Além disso, para atender apenas às classes B e C existem duas opções: PQS e CO2. O primeiro é mais barato, mas pode danificar o objeto que está pegando fogo. Por exemplo, em uma central de computadores pode ser que esse risco não valha a pena, então será mais vantajoso investir na proteção por extintor de CO2.

Os diferentes tipos de extintores e seus tipos de risco coberto | Red Safety

Conceitos fundamentais

Agente extintor: substância utilizada para a extinção do fogo (ex: água, PQS, CO2 etc.).

Carga extintora: quantidade de agente extintor contida no extintor de incêndio, medida em litro ou quilograma.

Capacidade extintora: medida do poder de extinção do fogo de um extintor, obtida em ensaio prático padronizado (apenas para fogos classes A e B).

Além disso, para que se constitua uma “unidade extintora”, a capacidade extintora mínima de cada tipo de extintor portátil deve ser:

CARGA EXTINTORACAPACIDADE EXTINTORA MÍNIMA
Água2-A
Espuma mecânica2-A:10-B
Dióxido de carbono (CO2)5-B:C
Pó BC 20-B:C
Pó ABC 2-A:20-B:C
Halogenado5-B:C

Carga de incêndio: soma das energias caloríficas possíveis de serem liberadas pela combustão completa de todos os materiais combustíveis contidos em um espaço, inclusive paredes, divisórias, pisos e tetos.

A partir desse conceito, é possível definir a carga de incêndio específica (MJ/m²), que consiste na razão entre o valor da carga de incêndio e o piso do espaço considerado.

A tabela a seguir mostra algumas ocupações com seus respectivos valores de carga de incêndio específica (tabela completa na NBR 12693:2021).


OCUPAÇÃO/USO

DESCRIÇÃO
CARGA DE INCÊNDIO ESPECÍFICA (q)MJ/m²
Serviços profissionais, pessoais e técnicosAgências bancárias300
Agências de correios400
Centrais telefônicas200
Cabeleireiros200
Copiadoras400
Encadernadoras1000
Escritórios700
Estúdios de rádio ou televisão ou de fotografia300
Laboratórios químicos500
Laboratórios (outros)300
Lavanderias300
Oficinas elétricas600
Oficinas hidráulicas ou mecânicas 200
Pinturas500
Processamento de dados400
Educacional e cultura físicaAcademias de ginástica e similares300
Pré-escolas e similares300
Creches e similares300
Escolas em geral300

Risco de incêndio: pode ser baixo, médio, alto, a depender da carga de incêndio; específico ou predominante.

RISCOCARGA DE INCÊNDIO
ESPECÍFICA (q) –  MJ/m²
Baixoq ≤ 300
Médio300 < q ≤ 1200 
Altoq > 1200

O risco específico, por sua vez, se manifesta de maneira local e pontual no pavimento a ser protegido. Como, por exemplo, depósitos de material de limpeza que contenham produtos inflamáveis, pequenas áreas destinadas à manutenção alocadas no interior dos edifícios, salas técnicas que abrigam equipamentos dos sistemas prediais da edificação (ar condicionado, casa de máquinas dos elevadores) e salas de geradores.

E o risco predominante é manifestado de maneira generalizada nos pavimentos a serem protegidos pelo sistema de proteção por extintores.

Distância máxima de caminhamento: distância máxima, em metros, a ser percorrida por um operador, do ponto de fixação do extintor a qualquer ponto da área protegida pelo extintor. 

Ademais, devem ser considerados todos os obstáculos arquitetônicos, mobiliários etc. Observe as imagens a seguir.

Dimensionamento do sistema de proteção

O primeiro passo para o projeto é saber onde os extintores podem ou não ser instalados.

  • Sua instalação deve ser acessível e o extintor deve estar prontamente disponível com carga completa;
  • Sua instalação não deve ser feita em escadas;
  • O abrigo não deve ficar fechado com chave nem impedir a visão do extintor – exceto em situações sob risco de vandalismo;
  • Para proteger locais fechados, a instalação deve ser feita no lado externo, próximo à entrada;
  • De modo geral, os extintores devem estar visíveis, desobstruídos e sinalizados, ou seja, nada de usar a área do extintor como depósito!
  • A instalação do extintor deve ser feita entre 0,10 m e 1,60 m de altura.

Outro fator importante é diferenciar os tipos de extintores: portáteis e sobrerrodas. A principal distinção entre eles é a capacidade de cada um, sendo o sobrerrodas o de maior carga e maior capacidade extintora.

Contudo, os extintores sobrerrodas só podem substituir até metade da capacidade dos extintores em um pavimento, não podendo ser previsto como proteção única para uma edificação ou pavimento. Além disso, não devem proteger áreas com desníveis, pois a facilidade de transportá-lo através das rodas seria comprometida.

Com tais regras em mente, vamos às regras para distribuição de extintores!

Primeiro, é necessário destacar que deve haver pelo menos um extintor a no máximo 5 metros da porta de acesso principal da edificação, da entrada do pavimento (escada ou elevador) e da entrada da área de risco.

Assim, a distribuição dos extintores ao longo da edificação tem regras específicas de acordo com classe do risco a ser combatido, sabendo-se que os extintores devem ser capazes de atender ao risco predominante e ao risco específico e que cada pavimento deve ter pelo menos duas unidades extintoras atendendo às classes de incêndio básicas (A, B e C) – estas podem atender a ambos ou apenas a cada um dos tipos de risco do pavimento.

Para risco de incêndio Classe A, as distâncias máximas a serem percorridas variam de 15 a 25 m e a capacidade extintora, de 2-A a 4-A, como é mostrado na tabela.

Para risco de incêndio Classe B, a distância máxima a ser percorrida é de 15 m independentemente do risco, enquanto a capacidade extintora, varia de 20-B a 80-B.

Para as outras classes de incêndio, cada uma tem regras específicas para proteção. Para o risco de classe C, sempre acompanha as regras classe A ou B.

Para a classe D, o extintor deverá estar instalado com distância máxima de caminhamento de 20 m, enquanto para a classe K, essa distância deve ser de no máximo 10 m.

Além dos riscos predominantes da edificação ou do pavimento, devem ser observados os riscos específicos, como subestações, armazenamento de líquidos inflamáveis e instalações de GLP.


O projeto dos sistemas de proteção por extintores de incêndio é fundamental para garantir a segurança dos ocupantes da edificação, além de evitar ou mitigar situações de risco. Por isso, é importante saber identificar o risco envolvido em cada uso das edificações, utilizando e projetando sistemas adequados para cada situação.

A NBR 12693:2021 é a principal referência utilizada, porém, é necessário observar regulamentações locais e instruções técnicas (IT) do Corpo de Bombeiros da região. Embora não alterem o que é dito na norma, essas regulamentações e ITs podem conter restrições ou orientações específicas.

Ficou alguma dúvida? Tem algum comentário sobre esse tipo de projeto? Comente aqui ou mande um email para a gente!

Para ler mais!

NBR 12693:2021 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio.

Prevenção e Combate a Incêndio: Parte 1

Prevenção e Combate a Incêndio: Parte 2

NBR: 16820:2020 – Sinalização de emergência – Parte 1

NBR: 16820:2020 – Sinalização de emergência – Parte 2

2 comentários sobre “NBR 12693:2021 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio

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