Revestimentos argamassados: como aplicar?

Depois que a vedação é concluída e todas as tubulações hidráulicas, elétricas, de gás e de esgoto são instaladas e testadas, a próxima etapa construtiva da edificação é o revestimento argamassado. Nesta etapa, ocorre a aplicação de uma ou mais camadas superpostas sobre a superfície das vedações, com diversos objetivos. E é sobre essa importante etapa que o artigo de hoje irá discutir.

Continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que constitui o revestimento argamassado
  2. Chapisco
  3. Emboço
  4. Reboco
  5. Controle de qualidade do revestimento aplicado

O que constitui o revestimento argamassado?

De acordo com a NBR 13529:2013, revestimentos argamassados atuam como recobrimento de superfície por meio de uma ou mais camadas sobre uma base, tornando-a apta para receber um acabamento decorativo – como pintura, revestimento cerâmico e outros. Usualmente, em uma edificação, as bases que recebem esse tipo de revestimento podem ser de concreto, bloco cerâmico, bloco de concreto, bloco de concreto celular e bloco sílico-calcário.

Além disso, os revestimentos argamassados podem ser externos ou internos e exercer funções fundamentais na edificação, como papel hidrófugo, termoisolante e isolante acústico. Ou seja, a execução adequada dos revestimentos é um requisito essencial para que a edificação atenda às exigências de desempenho da NBR 15575:2013.

Quanto às camadas que compõem o sistema de revestimentos argamassados, as configurações mais usuais são:

  • Chapisco – Emboço – Reboco
  • Chapisco – Massa única 

É importante que todas as camadas que compõem o revestimento estejam uniformes e planas, sem grandes variações. Considerando todo o revestimento argamassado, a NBR 13749:2013 determina os seguintes valores de espessuras admissíveis (mm):

  • Paredes internas: 5 ≤ e ≤ 20
  • Paredes externas: 20 ≤ e ≤ 30
  • Tetos internos e externos: e ≤ 20

Caso seja necessário empregar revestimento com espessura superior, devem ser tomados cuidados especiais de forma a garantir a aderência do revestimento.

Preparo da base

Antes de executar o revestimento argamassado, a fim de não comprometer a sua aderência, é necessário que o substrato esteja livre de impurezas.

Para isso, deve-se remover o desmoldante aderido (para estruturas de concreto) com escova e/ou jato de água, eflorescências, óleos e outras sujeiras. Deve-se também retirar pregos, arames, pedaços de madeira e outros materiais estranhos. Caso haja ferro aparente, este deve ser lixado e eventuais crostas de ferrugem devem ser removidas.

A alvenaria deve estar concluída e fixada (encunhada) e os peitoris, marcos (batentes) e contramarcos chumbados.

Segundo a NBR 7200, o revestimento argamassado só deve ser iniciado após 28 dias de idade mínima de estruturas de concreto e alvenarias estruturais armadas,  ou após 14 dias de finalizadas alvenarias não estruturais e blocos de concreto (estes já curados pelo menos 28 dias antes da execução).

Caso a argamassa seja industrializada ou dosada em central, os prazos podem ser alterados se houver instrução específica do fornecedor.

Chapisco

Aplicação de chapisco sobre parede de blocos cerâmicos

O chapisco é a camada de preparo da base, aplicada de forma contínua ou descontínua, com a finalidade de uniformizar a superfície quanto à absorção e melhorar a aderência do revestimento. 

O chapisco precisa ser feito com argamassa fluida de cimento (nunca CP-III ou CP-IV) e areia média no traço 1:3 em volume, à qual é adicionado aditivo adesivo (para ter maior aderência!). Esse aditivo deve ser adicionado à água de amassamento na proporção indicada pelo fabricante.

O consumo de água deve ser compatível com a trabalhabilidade requerida: deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro, porém sem ser fluida.

Para sua execução se deve molhar abundantemente o substrato (de acordo com sua capacidade de absorção), para que não haja absorção da água necessária à cura da argamassa do chapisco. Esta deve ser projetada energicamente de baixo para cima, contra a alvenaria a ser revestida, e aplicada com desempenadeira dentada sobre a estrutura de concreto.

O chapisco se fará tanto nas superfícies verticais ou horizontais de concreto como também nas superfícies verticais de alvenaria, para posterior revestimento, e sua espessura máxima deve ser de 5 mm.

Emboço

O emboço é a camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a superfície da base ou chapisco, propiciando uma superfície que permita receber outra camada, de reboco ou de revestimento decorativo, ou que se constitua no acabamento final.

É uma argamassa constituída por cimento, cal e areia grossa e os traços geralmente utilizados são 1:1:4, em volume, para revestimentos externos e 1:1:6 para revestimentos internos.

A areia deverá ser de rio, lavada, não sendo recomendada areia de cava. Nunca poderá ser utilizada areia salitrada.

A argamassa precisa ser preparada mecanicamente. A mistura deverá ser contínua a partir do momento em que todos os componentes, inclusive a água, tiverem sido lançados na betoneira. 

Betoneira em preparação de emboço.

Quando a quantidade de argamassa que será utilizada for insuficiente para justificar o preparo mecânico, poderá ser feito o amassamento manual. 

Nesse caso, terão de ser misturados, a seco, o agregado com os aglomerantes, revolvendo os materiais com enxada até que a mescla adquira coloração uniforme. A mistura será então disposta em forma de vulcão (coroa) adicionando no centro, gradualmente, a água necessária.

O amassamento prosseguirá com cuidado, para evitar perda de água ou segregação dos materiais, até ser obtida argamassa homogênea, de aspecto uniforme e consistência plástica apropriada. 

A argamassa contendo cimento deverá ser aplicada dentro de 2,5h a contar do primeiro contato do cimento com a água.

Para o procedimento executivo do emboço inicia-se com a definição do plano de revestimento.

O plano de revestimento será determinado através de pontos de referência dispostos de tal forma que a distância entre eles não seja superior ao tamanho da régua a ser utilizada no sarrafeamento.

Nestes pontos, devem ser fixadas as taliscas (peças planas de material cerâmico) com argamassa idêntica à que será aplicada no revestimento argamassado.

Talisca em parede chapiscada.

Em seguida, preenchendo e regularizando as faixas entre as taliscas verticalmente, constitui-se as guias ou mestras.

Saiba como rebocar parede de forma rápida e fácil – Acordo Coletivo:  Cidadania

Após o enrijecimento das mestras que permita o apoio da régua para a execução do sarrafeamento, aplica-se a argamassa de emboço, lançando-a sobre a superfície a ser revestida.

Nesta mesma operação devem ser retiradas as taliscas e preenchidos os vazios com a mesma argamassa de emboço.

Com a área totalmente preenchida e tendo a argamassa adquirido a consistência adequada, realiza-se o excesso de argamassa e a regularização da superfície pela passagem da régua.

Regularização do revestimento argamassado utilizando um sarrafo.

O emboço pode adquirir alguns tipos de acabamentos em função das camadas posteriores definidas para o revestimento argamassado:

  • Sarrafeado,  no caso de aplicação posterior de reboco;
  • Desempenado ou sarrafeado, no caso de revestimento posterior com placas cerâmicas;
  • Desempenado, camurçado ou chapiscado no caso do emboço constituir-se em uma única camada de revestimento (também conhecido como massa única).

É importante lembrar que, para a aplicação do emboço sobre chapisco deve-se aguardar um período mínimo de 3 dias após a execução do chapisco, podendo ser reduzido este período para 2 dias no caso da obra estar localizada em regiões quentes e secas, com temperaturas acima de 30ºC.

Reboco

Essa é a última camada de argamassa (também chamada de “massa fina”) desse processo de revestimento, utilizada para o cobrimento do emboço. Além disso, de acordo com a NBR 13529, essa camada propicia uma superfície plana e lisa que permite receber o revestimento decorativo ou que se constitua no acabamento final.

E, segundo a NBR 7200, ela deve ser aplicada 7 dias após a aplicação do emboço quando se tratar de uso de argamassa preparada em obra e, no caso de argamassa industrializada ou dosada em central, esse prazo pode ser alterado se houver instrução específica do fornecedor.

Para a execução do reboco são utilizados os seguintes materiais: cimento, cal hidratada, areia e eventualmente aditivos, comumente usados com o traço de 1:2:6 para ambientes internos e de 1:2:4 para ambientes externos

No procedimento executivo em si, a superfície do emboço é previamente molhada e em seguida aplica-se a argamassa do reboco com desempenadeira de madeira, de baixo para cima.

Em geral, a aplicação é realizada em duas camadas. A primeira, de 2 ou 3 mm, e a segunda que completa a espessura total do reboco, de 5 mm aproximadamente.

Acabamento final do reboco com desempenadeira.

A NBR 13749 afirma que os rebocos podem ser executados com os seguintes tipos de acabamento da superfície: desempenado, camurçado, raspado, chapiscado, lavado ou tratado com produtos químicos e imitação travertina.

Por fim, e não menos importante, é preciso conferir todo o serviço realizado.

Faça o controle de qualidade do revestimento aplicado!

A inspeção da qualidade do serviço de revestimentos argamassados é uma etapa essencial a fim de evitar a propagação de defeitos e o surgimento de patologias.

Além disso, as áreas de revestimento que apresentem aspecto insatisfatório devem ser reexecutadas ou reparadas e submetidas, posteriormente, a uma nova inspeção.

A imagem abaixo ilustra um fluxograma que permite definir a aceitação ou a rejeição do serviço de revestimento argamassado, conforme explica a NBR 13749 de forma mais detalhada.

Fluxograma de controle de qualidade do revestimento.

A execução dos revestimentos argamassados é uma das últimas etapas da construção – mas não quer dizer que é menos importante. O procedimento correto é essencial para não apenas evitar diversas manifestações patológicas, mas também para garantir que a edificação tenha o desempenho esperado e que o acabamento estético final fique ainda melhor!

Tem alguma dúvida ou comentário? Fale com a gente!

Para ler mais!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS –  ABNT. NBR 7200 – Execução de revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas (procedimento). Rio de Janeiro, 1998.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS –  ABNT. NBR 13749 – Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas (especificação). Rio de Janeiro, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS –  ABNT. NBR 13529 – Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas (terminologia). Rio de Janeiro, 2013.

YAZIGI, W. A técnica de edificar. 10. ed. São Paulo: Pini: SindusCon, 2009.

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