Dimensionamento de Sumidouro – NBR 13969:1997

Ao passo que o filtro anaeróbio é uma solução de tratamento de efluentes complementar ao tanque séptico, o sumidouro – ou poço de absorção – se apresenta como uma alternativa de destinação final em que o efluente infiltra no solo.

Para que esse processo ocorra apropriadamente, de forma hidráulica e sanitária, é necessário que se atenda a alguns critérios. Assim, este artigo tratará do dimensionamento e das especificações para o projeto de sumidouros de acordo com a NBR 13969:1997.

Definição

O sumidouro é um unidade verticalizada de depuração e de destinação final de efluentes de tanques sépticos. 

Construído em formato cilíndrico, sua utilização é favorável somente em áreas onde o aquífero se encontra em profundidades mais elevadas (não podemos contaminá-lo!), de modo a garantir distância mínima de 1,50 m entre seu fundo e o nível máximo do aquífero (para solo arenoso, ver item de materiais e construção).

Esquema de sumidouro com anéis perfurados.

Por se tratar de um sistema de infiltração do efluente no solo, as características do sumidouro são fator fundamental para o dimensionamento e a eficiência do sistema. 

Além da capacidade de percolação do solo, a sua composição química exerce influência essencial na remoção dos agentes patogênicos e de fósforo.

Teste de percolação

Por exercer papel indispensável no dimensionamento de um sumidouro, o teste de percolação do solo deve ser executado cuidadosamente, pois tanto o modo de execução quanto a época de execução influenciam diretamente nos resultados obtidos.

Como o sumidouro é uma unidade de infiltração vertical, que atravessa frequentemente algumas camadas de solos com características distintas, o ensaio deve ser feito por camada. Sendo assim, o valor final da taxa de percolação deve ser obtido fazendo a média ponderada de todas as camadas.

Todos os dispositivos, assim como o procedimento para a obtenção dos valores da taxa de percolação, podem ser encontrados na NBR 13969:1997.

Com a definição do valor da taxa de percolação, utiliza-se a tabela abaixo para converter seu valor em taxa máxima de aplicação diária (também chamada de coeficiente de infiltração).

Relação entre taxa de percolação do solo e taxa máxima de aplicação diária.

Na literatura também é possível encontrar valores médios das taxas de aplicação diária de acordo com a constituição aparente do solo. Veja a seguir os valores propostos por Jordão & Pessôa (2005).

Coeficiente de infiltração para diversos tipos de solo.

Dimensionamento

O dimensionamento de um sumidouro consiste em definir sua área de infiltração (superfície lateral) e profundidade. Além disso, as dimensões do sumidouro são determinadas em função da capacidade de absorção do terreno.

Outro aspecto que vale ressaltar é que, como medida de segurança, a área do fundo do sumidouro não deve ser considerada, visto que o fundo sofre colmatação rapidamente.

  1. Área de infiltração (m²)

A=Q/Ci

Onde:
Q = contribuição diária (L/dia);
Ci = coeficiente de infiltração/percolação ou taxa máxima de aplicação diária (L/m² x dia).

Através das tabelas apresentadas no tópico de teste de percolação, é possível encontrar o valor de Ci, tanto em função da taxa de percolação (min/m), como através da composição do solo.

  1. Profundidade (m)

h=A/πD

Onde:
A = área necessária (m²);
D = diâmetro adotado (m), maior ou igual a 30 cm.

Materiais e Construção 

A construção de um sumidouro, desde o meio filtrante até sua estrutura, é um processo simples e requer materiais de fácil acesso.

Os materiais que podem ser usados como meio filtrante (no fundo do sumidouro) são areia (diâmetro efetivo entre 0,25 mm a 1,2 mm e índice de uniformidade inferior a 4) e pedregulho ou pedra britada. Esses materiais podem ser usados em conjunto ou de forma isolada.

Esquema de construção de sumidouro.

Em relação à estrutura do sumidouro, diversos materiais usuais da construção civil podem ser utilizados para compor suas paredes. Assim, as paredes são comumente construídas em manilhas de concreto perfuradas (também conhecidas como zimbras), mas também podem ser feitas com tijolos com juntas secas – para permitir a percolação. 

No caso em que houver furos nas estruturas, os diâmetros mínimos deverão ser de 1,5 cm, com distância máxima vertical e horizontal entre esses de 20 cm.

Sumidouro em tijolos cerâmicos.
Sumidouro em manilha de concreto perfurada.

Outra opção é utilizar materiais alternativos, como pneus usados, a fim de aproveitar resíduos.

O sumidouro deve sempre ter uma tampa feita em material resistente – geralmente concreto, tanto para evitar acidentes quanto para evitar a entrada de água da chuva no interior do poço. Além disso, deve haver entrada para inspeção com menor dimensão de, no mínimo, 60 cm.

Em caso de solo arenoso, a fim de proteger o aquífero, a NBR 13969:1997 prevê que haja camada de solo com taxa de percolação maior que 500 min/m (solo com maior teor de finos) envolvendo, no mínimo, 30 cm das laterais e do fundo do sumidouro.

Sumidouro em solo arenoso.

Se forem adotados sumidouros múltiplos, estes deverão ter, no mínimo, 1,50 m entre si, e o esgoto deverá ser distribuído através de caixa distribuidora de vazão.

Solução de distribuição de efluente em sumidouros múltiplos.

Embora simples, o sumidouro consiste em uma alternativa razoável para a disposição final de esgoto doméstico, principalmente em comunidades isoladas e em regiões sem acesso ao sistema de esgotamento sanitário público. Assim, o sumidouro é uma das soluções mais tradicionais, e todo engenheiro deve saber utilizá-la!

Para ler mais!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS –  ABNT. NBR 7229 – Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS –  ABNT. NBR 13969 – Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação. Rio de Janeiro, 1997. 

JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamentos de esgotos domésticos. 6. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2011.

6 comentários sobre “Dimensionamento de Sumidouro – NBR 13969:1997

  1. Prezados, gostaria de tirar uma dúvida: todo sumidouro deve ter as paredes revestidas, ou pode simplesmente cava o buraco e não fazer mais nada? Sou proprietário e estão fazendo meu sumidouro e disseram que era só cavar o buraco e que não precisava revesti as paredes laterais, vocês saberiam me informar qual NBR fala claramente que as paredes devem ser revestidas?

    Curtir

    1. Olá! A NBR que trata de sumidouros é a NBR 13969/1997. Ela não determina especificamente o material de que deve ser feito o revestimento das paredes laterais do sumidouro por ser uma norma já antiga, porém, traz exemplos de projetos com anéis (manilhas) de concreto ou de pvc.

      No mercado existem alternativas pré-fabricadas de várias marcas, em materiais como PVC. Outros materiais podem ser utilizados, como pneus usados ou tijolos. Te enviei um material por email que pode ser útil. Abraço.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.