PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO E PÂNICO: Parte 2

Na Parte 1, discutimos sobre as medidas passivas de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico nas edificações, apresentando suas aplicações e seus papéis em situações de emergência. Além disso, mostramos algumas exigências do Corpo de Bombeiros de Sergipe contra incêndio e pânico.

Na segunda parte de hoje, abordaremos as medidas ativas de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico, assim como suas características e aplicações no cotidiano. O principal ponto de destaque das medidas de proteção ativa – em relação às passivas – é que seu uso visa extinguir o fogo durante as situações de emergência.

Extintores portáteis e extintores sobrerrodas

Extintores portáteis de diferentes tamanhos.
Extintores portáteis.

Os dois tipos de extintores, portáteis e sobrerrodas, são constituídos em um único recipiente com agente extintor. Entretanto, o extintor sobrerrodas tem capacidade de agente extintor em maior quantidade para extinção do fogo.

São equipamentos utilizados para o combate ao incêndio imediato, enquanto são pequenos focos. Além disso, são fáceis de manusear contando unicamente com um treinamento básico.

Esses extintores podem ser divididos em 5 tipos, de acordo com o agente extintor que utilizam: água, espuma mecânica, pó químico seco, dióxido de carbono e compostos halogenados.

Os extintores portáteis devem ser instalados, de tal forma que sua parte superior não ultrapasse a 1,6 m de altura em relação ao piso acabado, e a parte inferior fique acima de 0,1 m (podem ficar apoiados em suportes apropriados sobre o piso).

Quanto aos extintores sobrerrodas, esses podem substituir até a metade da capacidade dos extintores em um pavimento, não podendo, assim, ser previstos como proteção única para uma edificação ou pavimento. 

Extintor sobrerrodas.
Extintor sobrerrodas.

Todo o dimensionamento desse sistema está explicado no artigo NBR 12693:2021 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio.

Sistema de hidrantes e de mangotinhos

Hidrante.
Hidrante.

Este sistema é utilizado pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBM), em sua intervenção a um incêndio, principalmente nas ocorrências em edifícios de maior porte. Os hidrantes devem estar instalados em todos os pavimentos, nas proximidades das escadas de segurança, e a canalização do sistema deve ser dotada de prolongamento.

O sistema de hidrantes é composto por:

  • Reservatório de água, que pode ser subterrâneo, ao nível do piso ou elevado;
  • Sistema de pressurização, que consiste normalmente em uma bomba de incêndio para reforço de pressão e vazão; quando o desnível entre o reservatório e o hidrante for suficiente para propiciar a pressão e a vazão mínima requerida, as bombas hidráulicas são dispensadas;
  • Conjunto de peças hidráulicas e acessórios, composto por registros (gaveta, ângulo aberto e recalque), válvula de retenção, esguichos etc.;
  • Tubulação, responsável pela condução da água;
  • Forma de acionamento do sistema, cujas bombas de recalque podem ser acionadas por botoeiras do tipo liga-desliga, pressostatos, chaves de fluxo ou uma bomba auxiliar de pressurização (jóckey).

Outro sistema que pode ser adotado no lugar dos tradicionais hidrantes internos são os mangotinhos. Eles apresentam a grande vantagem de poder ser operado de maneira rápida por uma única pessoa e contar com grande autonomia do sistema devido a vazões baixas de consumo.

Mangotinho.
Mangotinho.

Sendo assim, os mangotinhos são recomendados pelos bombeiros, principalmente nos locais onde o manuseio do sistema é executado por pessoas não habilitadas (Ex.: uma dona de casa em um edifício residencial).

Sistema de chuveiros automáticos “sprinklers

Chuveiro automático (sprinkler)

Depois dos extintores, com certeza sprinklers são as medidas de combate a incêndio mais conhecidas! E não é sem razão: este equipamento é considerado a medida de proteção mais eficaz quando o agente extintor mais adequado para o incêndio é a água. Essa característica existe porque ele é capaz de atuar com rapidez no princípio do fogo e pode abranger uma grande área.

Em geral, estes chuveiros são dispostos ao longo do teto da área a ser protegida e são ativados através de um mecanismo termossensível, rompendo quando a temperatura se eleva e permitindo a passagem da água.

É importante que, durante o dimensionamento, a pressão adequada nos sprinklers seja garantida e que os equipamentos sejam distribuídos de maneira homogênea no ambiente protegido!

Sistema de espuma mecânica

Sistema de combate ao fogo com espuma.

Para combater incêndio envolvendo líquidos combustíveis e inflamáveis, a espuma mecânica é uma das soluções recomendadas. Nesse sistema, a espuma cria uma camada que isola o líquido do ar, retirando o contato entre o combustível e o comburente de maneira eficaz.

Contudo, sua aplicação não é recomendada para fogo em materiais que reagem com água, em líquidos sobre pressão ou em gases. Além disso, não deve ser utilizado em equipamentos eletrônicos tendo em vista o risco de condução de corrente elétrica!

Quanto à mobilidade, os sistemas de espumas podem ser fixos – quando o tanque de espuma e as câmaras de espuma permanecem estáticos -, semifixos – quando esguichos e canhões móveis -, e móveis – quando todo o conjunto de tanque de espuma e esguicho pode se locomover livremente.

Sistema fixo de CO2

Outra opção de combate direto ao fogo, é um sistema composto por cilindros de CO2 ligados a tubulações, válvulas, difusores e equipamentos eletrônicos de controle e alerta com o objetivo de extinguir o fogo por “asfixia”, retirando o oxigênio do ambiente.

Essa solução costuma ser mais cara, por isso, é utilizada quando a área a ser protegida contém bens de alto valor que seriam danificados por outras soluções – como aparelhos eletrônicos ou documentos. Essa solução adequa-se a fogos dos tipos “A”, “B” ou “C”, criando uma atmosfera inerte à combustão.

Brigada de incêndio

A Brigada de Incêndio é um grupo formado por funcionários e/ou usuários da edificação capacitados para agir tanto na prevenção quanto no princípio de uma situação de emergência. Embora não sejam bombeiros militares, os brigadistas são treinados na análise de riscos da edificação, sendo responsáveis por identificar condições adversas e vulnerabilidades encontradas na edificação. 

Em situações de emergência, os brigadistas são responsáveis por orientar a população da edificação sobre a evacuação, realizar os primeiros e também combater princípios de incêndio de maneira segura. Simultaneamente, os integrantes do grupo também são responsáveis por alertar o corpo de bombeiros local para o combate efetivo do fogo.

Assim, para garantir a segurança da população, é importante que a Brigada tenha seu atestado renovado periodicamente, verificando assim a atualização dos conhecimentos.


Realmente, existem diversas medidas que podem ser aplicadas para combater incêndios em edificações. Para não se perder em todas essas que mostramos aqui e no artigo anterior, é importante estudar e avaliar os riscos existentes, os materiais armazenados e equipamentos instalados.

Dessa maneira podem ser projetadas soluções eficazes, sob medida para os possíveis sinistros. Dito isso, busque sempre a orientação de profissionais capacitados e, especialmente, do corpo técnico dos bombeiros – são eles convivem e normatizam os procedimentos cabíveis em situações de emergência!

Para ler mais!

Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo – http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br/

PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO E PÂNICO: Parte 1

NBR 12693:2021 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio

4 comentários sobre “PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO E PÂNICO: Parte 2

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