PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO E PÂNICO: Parte 1

(Já leu essa parte? Confira a Parte 2, onde falamos sobre as medidas de proteção ativas!)

Este artigo, que será dividido em duas partes, aborda sobre um assunto muito importante e, na maioria das vezes, negligenciado por todos: Medidas de Proteção, de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico. Mas, o que é? Quando e onde devo aplicar? Continue lendo nosso conteúdo e fique por dentro do assunto.

Nesta primeira parte, focaremos na explanação das medidas de proteção passiva, divididas em oito grupos. O ponto em comum a todas as medidas passivas é o fato de contribuírem indiretamente nas situações de emergência, seja na prevenção ou na extinção dos incêndios.

Neste artigo serão apresentados os conceitos e aplicações de cada uma, porém, o dimensionamento estará nas Instruções Técnicas e NBRs pertinentes.

A exigência de proteção contra incêndio e pânico

De modo geral, edificações unifamiliares estão isentas de medidas de proteção contra incêndio e pânico. Enquanto isso, as edificações comerciais precisarão se atentar a essa regularização.

O Corpo de Bombeiros de cada estado prevê os requisitos de cada projeto, sendo que as características determinantes para cada edificação são: área a proteger, altura da edificação e classificação quanto ao uso e ocupação.

A área a proteger refere-se a área construída da edificação ou área de risco descontadas as áreas isentas de proteção (banheiros, reservatório de água etc).

Área de risco é o ambiente externo à edificação que apresenta risco específico de ocorrência de incêndio ou emergência (subestações, casas de gás etc).

A altura da edificação diz respeito a medida, em metros, do piso mais baixo ocupado ao piso do último pavimento (logo, não é a altura total do prédio!).

A classificação quanto ao uso e ocupação distingue as diferentes edificações, pois cada tipo tem carga de incêndio e risco diferente. É fácil imaginar que uma biblioteca tenha mais material a ser queimado que um restaurante, certo? Logo, as medidas de segurança necessárias também serão diferentes.

Então vamos ao nosso exemplo. Suponha um restaurante e uma biblioteca, ambos com 6 m de altura e área de 800 m². O primeiro está na classe F-8 e o segundo F-1 (veja na legislação do seu estado).

Fonte: IT n° 01/2021 do CBMSE.

Eis as medidas de segurança:

Fonte: IT n° 01/2021 do CBMSE.
Fonte: IT n° 01/2021 do CBMSE.

Percebam que para a biblioteca é necessária uma medida a mais: detecção de incêndio. Logo, para cada classificação de edificação as exigências serão distintas e sempre deverão ser consultadas no Corpo de Bombeiros do seu estado.

Acompanhe neste artigo as medidas de segurança passivas.

Isolamento de riscos

Separação de edificações para isolamento de riscos.

Esta medida baseia-se na prevenção da propagação do incêndio entre edifícios distintos. Essa propagação pode ocorrer através dos seguintes mecanismos: radiação térmica, convecção e condução.

Existem duas formas de isolar uma edificação em relação à outra: por meio de afastamento seguro entre as fachadas e por meio de barreiras estanques entre edifícios contíguos.

Prevendo-se a execução de paredes corta-fogo, uma edificação é considerada totalmente estanque em relação a edificação contígua. Já o distanciamento seguro entre edifícios é obtido por meio de uma distância mínima horizontal entre as fachadas de edifícios adjacentes. Sem esta medida, o calor é transferido por radiação térmica através das fachadas e/ou por convecção através da cobertura do edifício.

Compartimentação vertical e horizontal

De forma semelhante ao isolamento de riscos, a compartimentação pretende evitar a propagação do incêndio entre os ambientes de uma edificação. Os principais mecanismos de propagação são: 

  • a convecção de gases quentes dentro do próprio edifício;
  • a convecção de gases quentes que saem pelas janelas (incluindo as chamas) capazes de transferir o fogo para pavimentos superiores;
  • a condução de calor por meio das barreiras entre compartimentos;
  • a destruição dessas barreiras.

A principal medida de compartimentação visa dividir o edifício em células capacitadas a suportar a queima dos materiais combustíveis nelas contidos, impedindo o alastramento do incêndio.

Os principais objetivos da compartimentação são:

  • conter o fogo em seu ambiente de origem;
  • manter as rotas de fuga seguras contra os efeitos do incêndio;
  • facilitar as operações de resgate e de combate ao incêndio.

A compartimentação horizontal pode ser obtida pelos seguintes dispositivos: 

  • paredes e portas corta-fogo; 
  • registros corta-fogo nos dutos que transpassam as paredes corta-fogo; 
  • selagem corta-fogo da passagem de cabos elétricos e tubulações das paredes corta-fogo;
  • afastamento horizontal entre janelas de setores compartimentados. 

A compartimentação vertical se destina a impedir o alastramento do incêndio entre andares e assume caráter fundamental para o caso de edifícios altos em geral. Esse tipo de compartimentação deve ser tal que cada pavimento componha um compartimento seguro. Para isso são necessários:

  • lajes corta-fogo; 
  • enclausuramento das escadas através de paredes e de portas corta-fogo;
  • registros corta-fogo em dutos que intercomunicam os pavimentos; 
  • selagem corta-fogo de passagens de cabos elétricos e tubulações, através das lajes; 
  • utilização de abas verticais (parapeitos) ou abas horizontais projetando-se além da fachada, resistentes ao fogo e separando as janelas de pavimentos consecutivos (nesse caso é suficiente que estes elementos mantenham suas características funcionais, obstruindo dessa forma a livre emissão de chamas para o exterior).

Resistência dos materiais

Edifício em chamas.

A capacidade dos elementos estruturais de suportar o fogo por determinado período, denominada resistência ao fogo, permite preservar a estabilidade estrutural do edifício. 

Durante o incêndio, os materiais constituintes da edificação serão afetados (perdendo resistência) por atingir temperaturas elevadas. Por consequência, os elementos estruturais podem chegar ao colapso.

Colapso estrutural após incêndio.

Desse modo, é fundamental que a estrutura tenha resistência tal que permita a saída dos ocupantes da edificação, o socorro público e o combate ao incêndio, e que sejam minimizados os danos à própria estrutura.

Além disso, os materiais de revestimento são significativamente influentes na evolução do incêndio, podendo ser responsáveis por ocorrência de inflamação generalizada. Por isso, devem ser verificadas a sua combustão e inflamabilidade.

Rotas de fuga

Exemplo de saída de emergência.

Saídas de Emergência e Escadas de Segurança

É necessário que as edificações sejam dotadas de meios adequados de fuga, que permitam aos ocupantes se deslocarem com segurança para um local livre da ação do fogo, calor e fumaça, a partir de qualquer ponto da edificação, independentemente do local de origem do incêndio

Além disso, ações de salvamento devem ser rápidas e seguras, e normalmente utilizam os meios de acesso da edificação, que são as próprias saídas de emergência ou escadas de segurança. Esses meios devem estar localizados de forma a propiciar efetivamente aos ocupantes a oportunidade de escolher a rota de escape.

Todas as escadas de segurança devem ser enclausuradas com paredes resistentes ao fogo e portas corta-fogo. Em determinadas situações, essas escadas também devem ser dotadas de antecâmaras enclausuradas, de maneira a dificultar o acesso de fumaça no interior da caixa de escada.

Corredores

Quando a rota de fuga horizontal incorporar corredores, o fechamento destes deve ser feito de forma a restringir a penetração de fumaça durante o estágio inicial do incêndio. Para isso, suas paredes e portas devem apresentar resistência ao fogo.

Para prevenir que corredores longos se inundem de fumaça, faz-se necessário prever aberturas de exaustão e sua subdivisão com portas à prova de fumaça. 

Sistema de iluminação de emergência

A iluminação de emergência se destina a substituir a iluminação artificial normal que pode falhar em caso de incêndio (queda de energia). Por isso deve ser alimentada por baterias ou por motogeradores de acionamento automático e imediato.

Existem dois tipos de iluminação:

  • de balizamento:  associada à sinalização de indicação de rotas de fuga, com a função de orientar a direção e o sentido que as pessoas devem seguir em caso de emergência.
Iluminação de emergência de  balizamento.
  • de aclaramento: se destina a substituir a iluminação artificial normal que pode falhar em caso de incêndio.
Iluminação de emergência de aclaramento.

Elevador de segurança

Para o caso de edifícios altos, adicionalmente à escada, é necessária a disposição de elevadores de emergência, alimentado por circuito próprio e concebido de forma a não sofrer interrupção de funcionamento durante o incêndio. Esses elevadores devem:

  • apresentar a possibilidade de serem operados pela brigada do edifício ou pelos bombeiros;
  • estar localizados em área protegida dos efeitos do incêndio.

O número de elevadores de emergência necessário e sua localização são estabelecidos levando-se em conta as áreas dos pavimentos e as distâncias a percorrer para serem alcançados a partir de qualquer ponto do pavimento.

Acesso de viaturas

Acesso da edificação para entrada do corpo de bombeiros.

Uma das necessidades básicas de segurança é que as viaturas do Corpo de Bombeiros consigam acessar as fachadas da edificação para que os equipamentos possam ser utilizados com segurança em situações de emergência.

Por isso, é importante que o local tenha acessos capazes de permitir a passagem das viaturas: portões com dimensões adequadas, vias livres de obstáculos e pavimentação que suporte os esforços. As dimensões físicas específicas devem ser observadas nas regulamentações locais!

Sistema de detecção e alarme

Esse sistema é aquele que entra em funcionamento quando se detecta princípio de incêndio – fogo ou fumaça – em qualquer parte da edificação. Quando acionado, deve alertar, de modo visual e sonoro, todos os ocupantes da edificação e avisar ao Corpo de Bombeiros local para que as medidas necessárias de evacuação e de combate sejam tomadas.

A detecção, quando automática, é feita por meio de sensores – térmicos, de fumaça, de gás, de chama – que envia um sinal à central do sistema. Este tipo de detecção deve ser usado em edificações maiores, onde um incêndio pode levar tempo para ser percebido e os ocupantes podem demorar a iniciar a evacuação, ou quando os ocupantes podem não estar alertas constantemente, como hotéis e hospitais.

Independentemente da presença de detecção automática, é sempre necessário ter acionadores manuais para o sistema. Esses acionadores devem estar sempre localizados próximos às saídas de emergência ou nos acessos para escadas, a fim de permitir o acionamento com segurança para os usuários.

Sinalização de emergência

A sinalização de emergência de incêndio tem princípios bastante similares à sinalização de acessibilidade, considerando especialmente a necessidade de ter simples entendimento e de poder ser vista à distância. Além disso, a sinalização cumpre dois objetivos dentro da edificação:

Prevenir situações de risco: alertar para materiais perigosos e ações que trazem insegurança.

Proteger em situações de risco: indicar a localização dos equipamentos de combate a incêndio e das rotas de fuga, além de indicar as ações a serem tomadas.

Sinalização de emergência.

Essa sinalização divide-se em cinco categorias: alerta, comando, proibição, orientação e de equipamentos de combate.


Por fim, é possível notar a importância de adoção das medidas estudadas nesse artigo, a fim de dificultar a propagação do incêndio e proporcionar meios de controle e de extinção do mesmo. E, acima de tudo, proteger o bem mais precioso: nossas vidas!

Não deixe de conferir Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico: Parte 2, sobre as medidas ativas de combate a incêndio!

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