Desabamento de prédio em Fortaleza-CE

O prédio residencial, chamado Edifício Andrea, desabou na cidade de Fortaleza no dia 15 de outubro de 2019. Esse edifício estava localizado em uma área nobre da cidade e era estruturado conforme imagem a seguir.

Arquitetura do edifício Andrea, em Fortaleza.
Fonte: G1.
Pilares danificados.
Fonte: G1.

Em meio a tantas publicações e relatos foi possível extrair que o prédio era antigo (por volta de 40 anos, segundo vizinhança) e com construção realizada irregularmente (sem licenças emitidas pelos órgãos competentes). Além disso, a reforma que estava sendo realizada durante o desabamento não tinha autorização da Prefeitura de Fortaleza.

Diversas entrevistas apontaram que quem frequentava o edifício já percebia sinais preocupantes em relação a sua estrutura: fissuras, pedaços caindo (literalmente!) e chão da garagem cedendo

Com isso, o condomínio contratou uma empresa para executar uma obra de recuperação dos pilares e das vigas. Entre os diversos pontos críticos na estrutura do edifício, os pilares despertavam especial atenção, necessitando de manutenção o mais rápido possível.

As fotos abaixo mostram diversas fissuras verticais nesses elementos, estas indicam prováveis problemas de corrosão das armaduras visto que as trincas se apresentam paralelas às barras longitudinais (para saber mais, veja Corrosão de Armaduras por MSc. Engª. Letícia Menezes).

Pilar com corrosão de armaduras.
Fonte: Roma News.

Segundo relatos à polícia do engenheiro responsável, a obra havia sido iniciada no dia do desabamento (15 de outubro), com a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no dia 14. No entanto, conforme moradores o início havia ocorrido no dia anterior (14). 

Além disso, um morador do primeiro andar apontou: “Eu ainda reclamei daquele serviço. O cara descascou todas as colunas. Cinco colunas. Quando ele foi mexer no pilar principal, deu um ‘papoco’, os ferros estouraram e o prédio desceu”.

As imagens abaixo ilustram os pilares após destacamento do concreto durante a reforma do prédio, a fim de reforçá-los. Percebe-se alto comprometimento das armaduras transversais e longitudinais, as quais apresentam papel fundamental na estabilidade da peça.  

Fonte: G1.

O vídeo abaixo ilustra a retirada de grande parte da seção transversal dos pilares sem a realização de devido escoramento da estrutura. Essa redução de seção dos pilares acarretou em uma diminuição da rigidez do edifício, além de uma redistribuição de esforços, fazendo com que os demais pilares fossem sobrecarregados. Pouco tempo depois, vigas e pilares passam a fissurar e apresentar rupturas locais (expelindo pedaços de concreto), ou seja, ocorria um colapso progressivo dos elementos. Por fim, houve ruptura global da estrutura e o prédio veio a ruir.

E qual a lição disso tudo?

Infelizmente, só depois que acontece a tragédia é que vamos nos dar conta do prejuízo. No entanto, sempre podemos levar esses acontecimentos como exemplo a fim de evitar negligências que podem causar mais danos irreparáveis. Vamos destacar três fatores fundamentais para a vida útil deste tipo de edifício: papel do síndico, inspeção predial regular e qualidade dos serviços de manutenção para reformas.

Inicialmente, vale ressaltar o papel do síndico. Entre todas as suas competências previstas no artigo 1.348 do Código Civil, pode-se destacar: diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessem aos possuidores, assim como a elaborar o orçamento da receita e da despesa de cada ano. 

Dessa forma, é possível notar a responsabilidade do síndico acerca da manutenção do condomínio, desde o contrato de empresa especializada até a periodicidade desse serviço, evitando graves prejuízos. 

Quanta à realização de inspeções prediais regulares, o Brasil ainda não possui legislação específica sobre o tema. Nesse contexto, o projeto de Lei nº 6.014/2013 circula pelo poder legislativo, porém, alguns estados e municípios já possuem leis próprias regulamentando o tema. Em nosso post no Instagram, comentamos um pouco sobre a legislação em Sergipe!

Em Fortaleza já está em vigor desde 2012 uma lei que obriga os responsáveis por imóveis a contratarem profissionais habilitados para elaborar o Laudo de Vistoria Técnica, com uma periodicidade definida em função da idade do imóvel. Neste laudo, o profissional deverá observar e registrar os aspectos de segurança da edificação, obedecendo a todas as normas técnicas da ABNT pertinentes, devidamente acompanhado da ART, contendo:

  • a descrição detalhada do estado geral da edificação (estrutura, instalações e equipamentos);
  • as características das anomalias porventura encontradas e suas causas;
  • as especificações dos pontos sujeitos à manutenção preventiva ou corretiva, bem como a periodicidade das mesmas;
  • as medidas saneadoras a serem utilizadas;
  • os prazos máximos para a conclusão das medidas saneadoras propostas.

Quando se trata da qualidade dos serviços de manutenção, na contratação de uma empresa especializada, é fundamental analisar o custo benefício que essa empresa oferece. Essa análise não deve ser feita somente pelo menor preço, mas também pela credibilidade da empresa no mercado.


Por isso, informe-se, realize ou exija a realização periódica da inspeção predial em sua edificação e que a mesma seja realizada por um profissional de engenharia ou empresa especializada, ambos habilitados pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do seu Estado.

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