Qual o tamanho da sua pegada?

Olá! Já parou para pensar hoje sobre a relação do seu dia a dia com o meio ambiente? Pois é, e é sobre esse assunto, muito interessante e de cunho sustentável, que abordaremos aqui no Canteiro: Pegadas. Você conhece? Sabe quais existem? Se não, vamos conhecê-las e entender juntos como pequenos gestos do nosso cotidiano causam impactos na natureza.


Que pegada é essa?

Até o momento, foram criadas três pegadas que medem os impactos gerados pela ação humana, são elas as pegadas Ecológica, Hídrica e de Carbono.

Pegada ecológica 

Pegada ecológica.

Essa ideia foi criada pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e William Rees em 1990 e consiste em uma metodologia que avalia a demanda humana por recursos naturais renováveis. Para representar a demanda de uma pessoa, cidade, país, região ou até de toda a população mundial por consumo de produtos, bens e serviços utiliza-se uma medida de área (hectare global).

Seu cálculo é composto por 6 parâmetros:

  • Carbono: representa a extensão de áreas florestais capazes de “sequestrar” emissões de CO2, derivadas da queima de combustíveis fósseis, excluindo-se a parcela absorvida pelos oceanos que provoca a acidificação dos mesmos;
  • Pastagem: representa a extensão de áreas de pastagem utilizadas para a criação de gado de corte e leiteiro e para a produção de couro e de produtos de lã;
  • Floresta: representa a extensão de áreas florestais necessárias para o fornecimento de produtos madeireiros, celulose e lenha;
  • Estoque pesqueiro: calculado a partir da estimativa de produção primária necessária para sustentar os peixes e os mariscos capturados, com base em dados de captura relativos a espécies marinhas e de água doce;
  • Área de cultivo: representa a extensão de áreas de cultivo utilizadas para a produção de alimentos e de fibras para consumo humano, bem como para a produção de ração para alimentar os animais (gado, suínos, caprinos, aves), de oleaginosas e de borracha;
  • Área construída: representa a extensão de áreas cobertas por infraestrutura humana, inclusive transportes, habitação, estruturas industriais e reservatórios para a geração de energia hidrelétrica.

Outro conceito interessante de se conhecer é o de biocapacidade. Esta representa a capacidade dos ecossistemas de produzir recursos e de absorver os resíduos gerados pelo ser humano. Portanto, buscar o equilíbrio entre a nossa pegada e a biocapacidade da Terra é dever de todos.  

Pegada ecológica mundial ao longo dos anos.

E aí? Quer saber qual sua pegada ecológica? Clique aqui para uma versão simplificada ou clique aqui para uma versão mais detalhada, porém em inglês.

Pegada hídrica 

Pegada hídrica

É um indicador utilizado para quantificar, em volume por unidade de tempo (litros por dia, metros cúbicos por ano, etc.) a água consumida direta ou indiretamente por uma pessoa, uma indústria, uma cidade ou até mesmo produtos específicos. Essa pegada permite a visualização do real uso de água envolvido nos hábitos e nos produtos cotidianos, que muitas vezes não são percebidos.

Incorpora 3 componentes principais:

  • Água azul: volume superficial e subterrâneo consumido;
  • Água verde: volume de água de chuva armazenado como umidade do solo;
  • Água cinza: volume de água poluída por um processo ou um produto.

A utilidade desse indicador, dentro do contexto da Engenharia, está relacionada principalmente à gestão dos recursos hídricos, norteando políticas públicas de água – transposições, áreas de investimento, implantação de obras. Além disso, empresas podem utilizá-la para avaliar o quão “verde” está seu processo produtivo!

Assim, essa pegada evidencia a real dimensão da água consumida pela população humana. De acordo com o nível de detalhamento, pode ser avaliada em termos de dias, meses ou anos.

Estudo realizado em Portugal apontou que a pegada Hídrica associada à produção do   tijolo cerâmico é de 50L/tonelada. As componentes azul, verde e cinzenta são, respetivamente, 99%, 0% e 0,1% do valor total da pegada hídrica. A componente azul é a mais significativa; a componente verde é inexistente, uma vez que não há qualquer utilização de água verde (água da chuva); e a cinzenta é praticamente inexistente comparada com a componente azul.

Pegada de carbono

Pegada de carbono

A pegada de carbono é uma metodologia criada para medir emissões de gases do efeito estufa (gás carbônico, metano, óxido nitroso, halocarbonos, etc.) e estas são convertidas em carbono equivalente, independente do tipo de gás gerado. Diferentemente das pegadas anteriormente apresentadas, essa é expressa em unidades de massa, tais como grama, quilograma e tonelada – de CO2.

Os gases contabilizados são emitidos na atmosfera durante o ciclo de vida do produto, de processos ou de serviços. Inclui atividades individuais, populacionais, empresariais, governamentais, industriais, etc. São exemplos de atividades que geram emissões de gases do efeito estufa: a queima de combustíveis fósseis, o cultivo de arroz, a criação de pastagem para gado, o desmatamento, as queimadas e a produção de cimento. 

Desde a década de 1970, a pegada de carbono total do planeta mais do que triplicou. Atualmente, essa pegada é responsável por mais de 50% da pegada ecológica e os países com maior contribuição são China e Estados Unidos com 27,2% e 15,6% da porcentagem total, respectivamente. 

Paralelo a esta problemática da redução de carbono, um grupo de pesquisadores da Suíça e da Noruega fez os cálculos necessários para viabilizar ideia a qual mostrou que “ilhas solares de metanol” poderiam produzir combustível suficiente a longo prazo para tornar neutras – em todo o mundo – todas as emissões de CO2 geradas pelos derivados de petróleo usados no setor de transporte.

A construção de uma usina química no oceano custaria cerca de US$ 90 milhões, segundo os cálculos da equipe. A fazenda de energia oceânica consistiria em cerca de 70 ilhas fotovoltaicas com um diâmetro de cerca de 100 m2 cada uma e um navio com as plantas de eletrólise e síntese. Isso resultaria em uma área total de cerca de 550.000 m2. Mas uma única fazenda solar estaria longe de ser suficiente para alcançar um saldo zero de CO2 no setor de transporte mundial. Calculou-se que seriam necessárias 170.000 dessas ilhas para reciclar todo o CO2 emitido atualmente pelo setor de transporte.

Como reduzir?

Há várias coisas que você pode fazer no seu cotidiano a fim de diminuir sua pegada e, consequentemente, ter um estilo de vida mais equilibrado com o meio ambiente.

Na alimentação, é importante consumir frutas, verduras, legumes e cereais produzidos localmente, reduzindo também o uso de agrotóxicos; assim como, evitar o consumo diário de carne animal, de produtos industrializados e de fast food.

Fonte: Water Footprint Network.

Todos os nossos hábitos têm relação direta com a utilização dos recursos naturais. Sendo assim, pode-se optar pela coleta seletiva e por conhecer lugares nos quais o transporte e a estadia são coletivos, a mão de obra local é valorizada, assim como o artesanato e as comidas típicas da região.

Quanto ao consumo, deve-se evitar substituir aparelhos tecnológicos desnecessariamente e reduzir o consumo de produtos descartáveis. Além disso, procure adquirir produtos “verdes” de empresas envolvidas em programas de responsabilidade socioambiental e certificadas com a ISO 14000 (certificação ambiental).

Outro aspecto importante é com relação a moradia, enfatizando o fato de que morar em grupo contribui bastante para a redução da pegada, visto que a água, a energia e outros recursos naturais são melhor aproveitados. Com disso, é importante evitar o uso da mangueira para limpar calçadas ou lavar o carro; juntar roupas para lavar e passar; e poupar energia e água por meio de simples práticas caseiras, como isolamentos térmicos, utilização de lâmpadas fluorescentes e aparelhos elétricos e eletrônicos com o selo PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), pois estes consomem menos energia.

E por último, não menos importante, o uso de transporte. É fundamental evitar andar de carro sozinho e até ampliar as formas de locomoção, utilizando bicicletas, andando pequenos trechos a pé, preferindo o uso de transporte coletivo ou organizando caronas solidárias.


E é isso, galera! Devemos sempre pensar racionalmente nas “pegadas” que deixamos em nossa caminhada. O planeta e a vida agradecem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.