Descolamento de Revestimento por Engª. Ana Cecília Tavares

Dando continuidade ao tema abordado na semana passada sobre manifestações patológicas, iremos tratar hoje sobre uma patologia comum no sistema de revestimentos cerâmicos: descolamento em fachadas. Veja também o artigo sobre Corrosão de Armaduras por MSc. Engª. Letícia Menezes e nosso material sobre Patologias por umidade.

Esse artigo ficará por conta da engenheira civil Ana Cecília Tavares – mais uma convidada especial -, a qual atua na profissão há um pouco mais de 5 anos em empresa especializada em reformas de fachada e construção civil (Araújo Tavares Engenharia – @araujotavaresatel). Possui também pós-graduação em Engenharia Diagnóstica – Perícia e Patologia das Construções (INBEC – 2019).


Patologias em Fachadas

O mundo das Patologias das Construções engloba uma série de sistemas. Um deles é o sistema dos revestimentos, principalmente quando falamos sobre patologia em fachadas. A principal pergunta a respeito desse tema é porque, atualmente, muitas edificações apresentam cerâmicas descolando. Você sabe responder? Vamos descobrir?

Existem várias causas para a onda de descolamento em fachadas de edificações (figura 1). Entre as principais, citamos falha de execução, uso de material inadequado, ausência ou ineficiência de junta de dilatação, falha no traço do chapisco e emboço/reboco, falha no rejunte e ausência de manutenção.

Descolamento de cerâmica
Figura 1: Revestimento com pontos de descolamento de cerâmica.

O papel do engenheiro é, a partir de observações e perguntas aos usuários da edificação, identificar qual a possível causa para poder fechar o diagnóstico e, então, propor soluções. A maneira ideal de diagnosticar problemas no sistema de revestimento cerâmico é analisando visualmente o tardoz da placa cerâmica (além, é claro, de realização de ensaios).

Nesse post, focaremos no caso da figura 2 em que a cerâmica saiu com o tardoz limpo. Qual a conclusão que se tira a partir dessa observação? Provavelmente a causa se restringe a três possibilidades: uso de argamassa colante inadequada, falha na quebra dos cordões ou ultrapassou o tempo em aberto.

Descolamento de cerâmica com tardoz limpo.
Figura 2: Placa cerâmica descolou com tardoz limpo.

Supondo que a manifestação patológica se deu devido ao uso de material inadequado, deve-se saber que existem três tipos de argamassa colante chamadas AC-I, AC-II e AC-III. Segundo a NBR 13755:2017, em fachadas o correto é utilizar a AC-III por propiciar uma colagem química e mais eficaz. Caso seja utilizado outro tipo de argamassa, a principal consequência é o descolamento da cerâmica. Por isso, é fundamental o estudo da norma antes de escolher o material que será utilizado.

Outra grande causa é a falha na quebra dos cordões. Mas o que são esses cordões? A desempenadeira dentada, ferramenta utilizada para o assentamento da cerâmica, deixa marcas na argamassa colante que chamamos de cordões (figura 3). Quando eles não são corretamente quebrados durante o assentamento, existirão vazios atrás das placas, ou seja, falhas que geram áreas sem aderência (figura 4). É um problema executivo responsável por muitos casos de descolamento.

Aplicação de argamassa colante para revestimento cerâmico.
Figura 3: Desempenadeira dentada formando os cordões na argamassa colante.
Patologia em revestimento cerâmico
Figura 4: Substrato com argamassa colante mostrando os cordões inteiros após o descolamento da cerâmica.

O tempo em aberto é um dos grandes vilões para uma boa execução de revestimento em fachadas. Mas você sabe o que significa tempo em aberto? É o intervalo máximo de tempo entre a aplicação da argamassa colante no substrato e o assentamento da placa. Quando o tempo em aberto não é respeitado temos falha na aderência da cerâmica porque, em palavras mais simples, a cola secou! É um fato muito recorrente principalmente em fachadas oestes, ou seja, com incidência alta de raios solares que fazem com que a argamassa seque mais rápido.

O tempo em aberto deve ser informado pelo fabricante na embalagem do produto. Porém, a informação do fabricante é para situações laboratoriais e controladas. Na prática sabemos que não é bem assim que acontece, concordam? No mesmo dia poderemos ter chuva forte e sol intenso, situação totalmente oposta às condições laboratoriais. Esse é um ponto de conflito entre fornecedores de argamassa e executores de obra.

Uma dica simples que damos é sempre tocar a argamassa com a ponta do dedo e observar se o dedo suja ou não. Caso o dedo fique sujo com argamassa, o tempo em aberto ainda está permitindo o assentamento. Quando o dedo fica limpo é sinal que a argamassa colante já secou e deve ser descartada! Gostou da dica?


Finalizamos aqui algumas dicas de como diagnosticar manifestações patológicas em revestimentos cerâmicos que descolam apresentando tardoz limpo. Sabemos que existem outras maneiras de apresentação após o descolamento. Trataremos futuramente em outros posts com novas dicas.

Gostou do conteúdo? Ficou alguma dúvida? Manda seu feedback pra gente e até o próximo artigo!

2 comentários sobre “Descolamento de Revestimento por Engª. Ana Cecília Tavares

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