Corrosão de Armaduras por MSc. Engª. Letícia Menezes

O artigo de hoje será sobre uma manifestação patológica recorrente nas nossas construções: a corrosão de armaduras! Entender o processo é essencial para identificá-la e, consequentemente, corrigi-la. Veja também nosso material sobre Patologias por umidade.

Este conteúdo dará voz à engenheira civil Letícia Menezes, que atua na profissão há aproximadamente 5 anos em empresa especializada em reformas de fachada e construção civil (Araújo Tavares Engenharia – @araujotavaresatel). Além disso, é mestre em Engenharia Geotécnica e de Pavimentos (PROEC – UFS) e pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho (PUC Minas).


Manifestações Patológicas em Estruturas de Concreto: Corrosão das Armaduras

Aspectos Gerais

A corrosão das armaduras de estruturas de concreto armado é um problema recorrente na construção civil, que preocupa engenheiros do mundo todo. Essa preocupação decorre da necessidade de um bom desempenho do sistema estrutura para a durabilidade e segurança da edificação. O processo de corrosão das armaduras pode comprometer esse sistema, colocando em risco a segurança e reduzindo a capacidade de serviço das estruturas.

Entendendo o fenômeno…

Para melhor compreender a corrosão, é preciso relembrar o que é esse fenômeno. A corrosão é um processo químico ou eletroquímico, que promove a transformação de um metal ou íon metálico, decorrente da interação deste com o meio no qual está inserido (PANOSSIAN, 1993).

A depender do ambiente e da natureza do processo, a corrosão pode ser classificada em química e eletroquímica. De modo geral, ao contrário do que muitos pensam, a corrosão química não oferece preocupação para a construção civil. É um processo que ocorre de maneira lenta e os óxidos formados criam uma película sobre o metal que reduz, ainda mais, a velocidade das reações.

Já a corrosão eletroquímica merece especial atenção, uma vez que atinge as estruturas de concreto armado e pode levar a graus severos de deterioração da armadura.

Fatores Condicionantes para a Ocorrência do Processo

O princípio da corrosão eletroquímica é semelhante ao funcionamento de uma pilha: existe um ânodo, no qual ocorrem as reações de oxidação e um cátodo, no qual ocorrem as reações de redução. Para que esse processo aconteça, é preciso haver a presença de todos os seguintes fatores condicionantes:

  • Deve haver um eletrólito, ou seja, um meio que permita a condução dos íons, através de uma corrente iônica e que promova a dissolução do oxigênio. Em geral, nas estruturas de concreto, esse eletrólito é a água;
  • Deve haver uma diferença de potencial entre dois pontos da armadura, que pode ser causada por diversos fatores: diferenças de tensão, de umidade, de contato com o ar etc.;
  • E, por fim, deve haver oxigênio.

Fig. 1 – Representação de uma pilha de corrosão com um mesmo metal.

Pilha de corrosão.
Fonte: Meira, 2017.

Podem ainda existir agentes agressivos como os cloretos e sulfatos, que funcionam como catalisadores da reação, embora não sejam essenciais para a sua ocorrência.

Principais Causas

As causas principais da corrosão das armaduras em estruturas de concreto armado são:

  • Ausência de recobrimento ou recobrimento insuficiente das armaduras;
  • Segregação ou falta de homogeneidade do concreto;
  • Infiltração de água na estrutura;
  • Concreto de má qualidade;
  • Juntas de concretagem mal executadas;
  • Alta densidade de armaduras;
  • Presença de agentes agressivos e/ou fissuras que facilitem a entrada desses agentes no concreto;
  • Contato entre metais diferentes; entre outras.

Fig. 2 – Ausência de recobrimento do concreto.

Concreto armado sem cobrimento.

Fig. 3 – Alta densidade de armaduras.

Concreto aramado com alta densidade de armaduras.

Fig. 4 – Segregação e falta de homogeneidade do concreto.

Concreto heterogêneo.

Fig. 5 – Concreto de má qualidade, ausência de recobrimento, presença de fissuras e alta densidade de armaduras.

Patologias em pilar de concreto.

Fig. 6 – Armaduras insuficientes, presença de fissuras e ausência de recobrimento.

Concreto com armaduras insuficientes.

Identificação do Processo de Corrosão

O processo de corrosão das armaduras costuma dar alguns sinais. Em geral, podemos identificá-lo através das seguintes manifestações patológicas:

  • Fissuras e/ou trincas no concreto, paralelas à direção em que se encontram as barras da armadura;
  • Destacamento do concreto;
  • Presença de armaduras expostas;
  • Manchas na superfície do concreto com coloração amarelo-avermelhadas; entre outras.

Fig. 7 – Fissura paralela à direção da barra de aço.

Corrsão de armadura longitudinal.

Fig. 8 – Destacamento do concreto.

Destacamento de concreto.

Fig. 9 – Presença de armaduras expostas e manchas amarelo-avermelhadas.

Corrosão de armaduras em laje.

Fig. 10 – Diversos indicativos de corrosão em uma mesma estrutura.

Corrosão de armaduras em pilar.

Fig. 11 – Armadura em estágio avançado de corrosão.

Corrosão de armaduras em viga.

Prevenção

Para evitar ou retardar a ocorrência da corrosão das armaduras de estruturas de concreto, recomenda-se:

  • O uso de espaçadores, para garantir o recobrimento das armaduras de acordo com a classe de agressividade previamente identificada;
  • Controle tecnológico do concreto, a fim de garantir a qualidade deste;
  • Impermeabilização e vedação adequadas dos sistemas que interagem com as estruturas, evitando a ocorrência de infiltrações;
  • Proteção contra agentes agressivos do meio;
  • Observância às normas técnicas em vigor; entre outras medidas.

A prevenção desse e de outros tipos de manifestações patológicas pode ser realizada também por meio da conscientização dos usuários da edificação quanto à importância da manutenção preventiva.


PARA LER MAIS!

PANOSSIAN, Z. Corrosão e proteção contra corrosão em equipamentos e estruturas metálicas. São Paulo: IPT, 1993. v. 1. 280 p.

HELENE, P. R. L. Contribuição ao estudo de corrosão em armaduras de concreto armado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993. 231 p.

MEIRA, G. R. Corrosão de armaduras em estruturas de concreto: fundamentos, diagnóstico e prevenção. João Pessoa: Editora IFPB, 2017. 125 p.

RIBEIRO, F. H. de M. Corrosão das armaduras. Notas de Aula, Curso de Engenharia Civil, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).

4 comentários sobre “Corrosão de Armaduras por MSc. Engª. Letícia Menezes

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