Projeto elétrico: primeiros passos

Olá, povo do canteiro! 

O artigo de hoje tratará sobre projeto elétrico, abordando o dimensionamento de pontos de iluminação, de tomadas e de dispositivo de proteção, bem como a demanda de energia de um estabelecimento, com base na NBR 5410:2004. É simples e prático, então vamos lá!

Para isso, definimos um projeto que contempla uma sala, um escritório, uma copa e um banheiro. Assim, este será referência para todo dimensionamento aqui ilustrado.

Pontos de Iluminação

O levantamento da carga mínima de iluminação é feita em função da área de um cômodo. Nos ambientes com área igual ou inferior a 6 m² será atribuído um mínimo de 100 VA; para as áreas superiores a 6 m², mínimo de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescidos de 60 VA para cada aumento de 4 m² inteiros. 

Após determinar a potência mínima, é possível definir a quantidade de pontos de luz. Esta quantidade será estabelecida distribuindo a potência mínima calculada pela potência das lâmpadas que serão utilizadas. A NBR 5413 dá orientações quanto à distribuição e à quantidade de lâmpadas de ambientes, porém, essa questão de luminotécnica será abordada em um artigo futuro!

No exemplo em estudo, adotaram-se duas lâmpadas de 80 VA para a sala e uma lâmpada de 100 VA para cada um dos demais cômodos. Porém, caso desejado, podem ser adotadas mais lâmpadas por cômodo, respeitando-se o limite mínimo de potência estabelecido!

Observem que, exceto a sala, nenhum cômodo teve área de 10 m², ou seja, não completaram os próximos 4 m² além dos 6 m² iniciais para que fosse adicionado 60 VA.

Confira na imagem a seguir como ficou o posicionamento dos pontos de iluminação! É importante que esses estejam centralizados no ambiente para que a luminosidade seja satisfatória em todos os pontos.

No mais, a norma não estabelece critérios para iluminação de áreas externas, ficando por conta do projetista e do cliente.

Pontos de Tomada

Existem algumas condições para estabelecer a quantidade e a potência mínimas de tomadas, sejam elas Tomadas de Uso Geral (TUGs) ou Tomadas de Uso Específico (TUEs).

Tomadas de Uso Geral

Para dependências com área igual ou inferior a 6 m², deve-se ter, no mínimo, uma tomada. Diferentemente, naquelas com área maior que 6 m² haverá, no mínimo, uma tomada a cada 5 m (inteiros ou não) de perímetro, espaçadas o mais uniforme possível.

Nas cozinhas, copas e copas-cozinhas, independentemente de área, serão adotadas tomadas a cada 3,5 m (inteiros ou não) de perímetro. Já para subsolos, varandas, garagens ou sótãos, pelo menos uma tomada. 

Nos banheiros, exige-se, no mínimo, uma tomada perto do lavatório com uma distância mínima de 60 cm do limite do boxe.

Depois de definidas as quantidades mínimas, será estabelecida a potência mínima de cada tomada em função do ambiente em que esta será instalada. Para áreas molhadas e molháveis, deve-se atribuir, no mínimo, 600 VA por tomada, até 3 tomadas; e 100 VA para as tomadas excedentes. Nos demais cômodos, exige-se, no mínimo, 100 VA por tomada. 

Tomadas de Uso Específico 

Já para as TUEs, a quantidade é definida de acordo com o número de aparelhos com corrente superior a 10 A existentes no projeto. As TUEs são destinadas à ligação de equipamentos fixos e estacionários, como chuveiros, aparelhos condicionadores de ar, microondas, etc. 

A potência adotada para cada TUE será igual a do aparelho ao qual está destinada a alimentar. Esse valor pode ser encontrado em norma da concessionária ou com o fabricante do aparelho. 

Para este projeto, foram utilizadas as potências previstas pela Norma de Distribuição Unificada (NDU) 001 (Revisão 6.0 – Junho/2019) da Energisa. Na edificação, haverá 02 ar condicionados (01 na sala e 01 no escritório), 01 chuveiro elétrico no banheiro e 01 cafeteira elétrica e 01 microondas na copa.

Veja como ficou o projeto depois da locação de todas as tomadas! É sempre interessante distribuí-las ao longo das paredes, evitando o problema de concentrá-las e dificultar o uso de equipamentos no local onde se deseja.

Demanda de Energia 

Após a definição das potências solicitadas na edificação, é calculada a Demanda Provável do Consumidor, em kW, para informar à concessionária de Energia Elétrica. Esta demanda é encontrada através da fórmula abaixo. O fator de potência (FP) de 0,92 considerado foi conforme a NDU-001 (rev. 6.0, Junho/2019) da Energisa. Este transforma a potência aparente (kVA) em potência ativa (kW).

D(kW) = D(kVA)*0,92

Onde, D(kVA) = d1+d2+d3+d4+d5+d6+d7;

Sendo,

d1 (kVA) = Demanda de iluminação e tomadas;

d2 (kVA) = Demanda dos aparelhos para aquecimento de água (chuveiros, aquecedores, torneiras, etc);

d3 (kVA) = Demanda secador de roupa, forno de microondas, máquina de lavar louça e hidromassagem;

d4 (kVA) = Demanda de fogão e forno elétrico;

d5 (kVA) = Demanda dos aparelhos de ar-condicionado tipo janela ou centrais individuais; Demanda das unidades centrais de ar-condicionado, calculadas a partir das respectivas correntes máximas totais, valores a serem fornecidos pelos fabricantes e considerando-se o fator de demanda de 100%;

d6 (kVA) = Demanda dos motores elétricos e máquinas de solda tipo motor gerador. Para motores com potência maior que 30 CV observar métodos de partida;

d7 (kVA) = Demanda de máquinas de solda a transformador e aparelhos de raio X.

No nosso projetinho, porém, não teremos todos esses equipamentos! Sendo assim, temos apenas d1, d2, d3 e d5.

Para se obter cada uma dessas demandas deve-se dividir as potências correspondentes por seu FP e, em seguida, multiplicá-las pelo seu fator de demanda (FD), obtendo-se a potência total em VA.

Todos os valores dos FP e FD devem seguir as orientações presentes na norma regulamentadora da concessionária de sua região. No nosso caso, utilizamos a NDU-001 (rev. 6.0, Junho/2019) da Energisa.

Cada valor de FP é individual conforme o aparelho utilizado, por isso, foram utilizados os apresentados pela norma.

Para a iluminação e as TUGs (d1), deve-se somar a potência de todos os elementos desse grupo. Em escritórios, adota-se FD = 0,86 para os primeiros 20 kW, e 0,70 para o excedente. Como o escritório em estudo teve apenas 3460 W, basta multiplicar por 0,86.

Para os aparelhos de aquecimento de água (d2), temos 02 unidades, obtendo-se o FD = 0,75.

Na categoria d3, temos apenas 01 microondas, resultando em FD = 1.

E por fim, a última categoria (d5), refere-se aos 02 aparelhos de ar condicionado. Em instalações comerciais, o uso desses aparelhos é bem maior, assim, a Energisa recomenda usar FD = 1 para até 10 aparelhos. Veja outros valores na tabela abaixo!

Com isso, podemos calcular a demanda total do escritório somando-se as demandas em VA de cada categoria. Resumimos todo o processo descrito na tabela a seguir.

Calculada a Demanda Provável em kVA, podemos determinar a Demanda em kW e, em seguida, encontrar a categoria de fornecimento. Essa categoria dependerá da concessionária local.

Assim, no caso do escritório com demanda de 9,60 kW, a categoria de atendimento é B2!

Dimensionamento da Proteção Geral

Para finalizar esta etapa de dimensionamento, é calculada a corrente demandada da edificação, através da potência encontrada, em watts, e da tensão de fornecimento de 220 V. Com a corrente definida busca-se o disjuntor comercial com corrente nominal superior à demandada para instalar como proteção geral da edificação.


Buscamos um projeto bem simples e didático, para fosse possível observar alguns detalhes dessa parte elétrica inicial, que gera bastante dúvidas na hora de projetar. Porém, o projeto elétrico é essencial e não deve ser negligenciado – é importante conhecer as principais regras da ABNT e da concessionária local! Ficou alguma dúvida? Pode falar com a gente!

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