CURA DO CONCRETO: definição, importância e métodos

Muitas pessoas ainda duvidam da importância do processo de cura, deixando-o de fazer ou quando faz não realiza de forma adequada. Essa negligência pode acarretar inúmeras consequências nas características desejadas do concreto quando endurecido. Nesse artigo, discutiremos justamente o que é esse processo, qual a sua importância para as estruturas de concreto e quais os tipos de cura utilizados! 

O que é a cura do concreto?

Curar o concreto significa realizar procedimentos, logo após a concretagem, para garantir a saturação da superfície da peça de concreto, evitando que a água de amassamento evapore nos primeiros dias de endurecimento. A execução da cura é obrigatória durante pelo menos os 7 primeiros dias, ou até que o concreto alcance fck de 15 MPa (NBR 12655/2015). Por isso, acompanhe bem o andamento dos serviços e os resultados dos ensaios de ruptura do concreto!

Esse processo tem ainda relação direta com a realização da desforma e com a retirada dos escoramentos, que devem ser feitas conforme o concreto ganhe resistência.

Qual sua importância?

Para que o concreto atinja características satisfatórias, em especial sua resistência, faz-se necessária a cura do concreto. Esta, por sua vez, é fundamental para evitar a perda de água pela superfície exposta e assegurar uma superfície com resistência adequada e a formação de um capa superficial durável.

No processo de ganho de resistência do concreto, a água é essencial para que ocorram as reações de hidratação no interior da peça e para que o concreto alcance sua resistência máxima. E esse ganho pode ser bastante significativo: quando a cura é realizada ao longo de 7 dias, a resistência final do concreto curado por ser até duas vezes maior do que a resistência do concreto exposto ao ar.

Além disso, a cura adequada do concreto tem influência em sua porosidade, ao reduzir a formação de espaços vazios criados quando a água sai prematuramente da estrutura. Essa redução da porosidade implica ainda em ganho de durabilidade do concreto, visto que dificulta a passagem de agentes agressivos. Por isso, nos casos em que o concreto estará exposto a ambientes agressivos, é fundamental que a cura seja realizada por mais tempo!

Outro papel importante da cura é controlar as variações térmicas que o concreto sofre ao longo do dia. Manter uma película constante de água, por exemplo, reduz a variação de calor a que o concreto está sujeito e diminui as perdas de água por evaporação. Por isso, é importante que a cura seja feita de forma contínua para evitar ciclos de molhagem e secagem que levem à formação de fissuras.

Por fim, a cura adequada é importante também para que o concreto tenha um bom acabamento estético – essencial em peças de concreto aparente. Assim, nessas situações é interessante que a cura seja realizada por tempo maior, a fim de evitar fissuras e garantir a regularidade da superfície exposta.

Quais os métodos de cura?

Existem três métodos de cura: úmida, térmica e química. A escolha de qual tipo é mais apropriado depende do processo construtivo, da velocidade de desforma e da existência de elementos pré-moldados. Além disso, deve-se levar em consideração o local da obra, devido a umidade relativa do ambiente e a velocidade e temperatura do vento.

Fique atento às principais características de cada técnica.

Cura úmida

É o método de cura mais encontrado nas obras e consiste em manter a superfície do concreto coberta com água, evitando que a água de amassamento evapore. 

Esse processo deve ser feito com certa frequência a fim de deixar a superfície do concreto sempre molhada, mesmo que parcela da quantidade de água evapore. A utilização de manta geotêxtil ajuda na cura úmida impedindo a evaporação da água e diminuindo a frequência de hidratação da área de concreto.

Idealmente, a superfície não deve ser irrigada manualmente. Molhar com mangueira (como é visto em muitas obras!) dificilmente leva à saturação regular da superfície, ocasionando regiões secas e molhadas e induzindo à formação de fissuras.

Cura térmica

Essa técnica objetiva alcançar elevadas resistências a baixas idades e para isso a peça de concreto é submetida a altas temperaturas. Essa temperatura acelera a reação de hidratação e ao mesmo tempo mantém a água durante a hidratação. 

Em geral, a cura térmica é utilizada em empresas de pré-moldados e não é aconselhável quando se deseja elevada resistência à abrasão ou durabilidade da superfície.

Cura química

É realizada através da aplicação de um produto à base de ceras, parafinas, acrílicos ou PVA, por aspersão, na superfície do concreto. Esse produto forma uma película capaz de impedir a evaporação da água.

Esse tipo de cura é de fácil aplicação, permite poupar na mão-de-obra e é ambientalmente sustentável. Entretanto, prejudica a aderência de revestimentos, chapiscos, contrapisos, pinturas e argamassas colantes.

Além dos métodos citados acima, atualmente vem sendo desenvolvida a técnica de cura do concreto in loco por microondas, um tipo de cura térmica. De modo geral, consiste em acelerar o processo de cura da peça estrutural e é utilizado em locais com baixas temperaturas.

De acordo com tudo que foi dito nesse artigo, é possível notar que o processo de cura, mesmo sendo simples, é fundamental para alcançar e garantir as propriedades desejadas do concreto, não podendo ignorá-lo.

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