Defeitos em pavimentos: você sabe a diferença entre eles?

Como se sabe, o transporte rodoviário é o principal modal de locomoção do País. Porém, a sensação que temos ao rodar por nossas estradas é que não é dada atenção suficiente para a qualidade e para o estado de conservação dos pavimentos.

O resultado disso: defeitos e mais defeitos, acarretando falta de conforto e de segurança aos usuários. Ao iniciar o período de chuvas a situação se agrava, novos buracos aparecem e antigos reaparecem.

O gráfico abaixo apresenta a classificação do estado de conservação das estradas pavimentadas, em porcentagem, no Brasil.

Estado de conservação das estradas brasileiras em forma de barras sobrepostas. De 2005 para 2016, trechos em bom estado aumentaram de 17% para 30%, enquanto aqueles  em estado Péssimo diminuíram de 18% para 6%.

Fonte: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)/Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Elaboração: Deconcic – Fiesp e Ex Ante Consultoria Econômica. 

De modo geral, é perceptível uma redução na quantidade de estradas em situações de péssima qualidade, porém, isso não significa que não podemos melhorar.

Nesse artigo vamos discutir sobre os principais tipos de defeitos encontrados em pavimentos asfálticos.

Mas o que são defeitos e de onde se originam?

Segundo Bernucci (2006) [1], “os defeitos de superfície são os danos ou deteriorações na superfície dos pavimentos asfálticos que podem ser identificados a olho nu e classificados segundo uma terminologia normatizada”.

Esses defeitos possuem diversas origens: projetos; seleção, dosagem e produção de materiais; construção; alternativas de conservação e manutenção.

Os tipos de defeitos são classificados em fenda, afundamento, ondulação e corrugação, exsudação, desgaste/desagregação, panela/buraco, escorregamento e remendo.

Fendas

Fluxograma indicando que Fendas separam-se em Fissuras e Trincas, e Trincas, em Isoladas e Interligadas.

Fissuras

As fissuras são consideradas pequenas fendas de largura capilar, que por desgaste podem se tornar trincas. Essas patologias são visualmente perceptíveis a no máximo 1,50 m de distância e não trazem problemas funcionais ao pavimento. 

Trincas isoladas

As trincas isoladas podem ser transversais (ortogonais ao eixo da via) , longitudinais (paralelas ao eixo da via) e de retração (ocasionadas devido à retração térmica do revestimento ou do material subjacente). 

  • Transversais – de acordo com sua extensão, podem ser curtas (TTC), com extensão de até 100 cm, ou longas (TTL), com extensão maior que 100 cm;
  • Longitudinais –  recebem a mesma classificação das transversais quanto à sua extensão, sendo curtas (TLC) ou longas (TLL). 

As principais causas das trincas transversais e longitudinais são falhas executivas, recalques diferenciais, problemas na dosagem e o envelhecimento do ligante.

Já as trincas de retração, podem ser decorrentes da reflexão de trincas de placas de concreto de cimento Portland ou de trincas pré-existentes.

Trincas interligadas

Podem ser classificadas como do tipo “couro de jacaré”, quando são interligadas sem direções preferenciais, ou do tipo “bloco”, quando são interligadas por blocos bem definidos.

  • Couro de Jacaré – são originadas a partir da repetição de cargas de tráfego, ações climáticas, envelhecimento do ligante, compactação deficiente, baixo teor de ligante na dosagem e reflexão de trincas da base;
  • Bloco – são principalmente causadas pela reflexão de trincas das camadas subjacentes.

Ambos os tipos ainda podem ser subdivididos em duas categorias: com erosão nas bordas ou sem erosão nas bordas. 

Trincadas isoladas geralmente têm formato linear, podendo ser longitudinais ou transversais à rodovia. Trincas interligadas em blocos tem bordas definidas, enquanto a couro de jacaré não tem direção definida.

Afundamentos

Outro grupo importante e muito comum de defeitos de pavimentos são os afundamentos. Estes são divididos em duas categorias: plástico ou por consolidação. Geralmente são causados por falhas na seleção do tipo de revestimento para a carga solicitante, falhas de compactação, problemas de drenagem e falhas na dosagem da mistura asfáltica.

Fluxograma da divisão dos tipos de afundamento.

A principal diferença entre o afundamento plástico e o por consolidação é que, no plástico ocorre compensação volumétrica pelo solevamento (elevação da camada de revestimento) e na consolidação ocorre a densificação diferencial das camadas subjacentes, sem solevamento.

Aparência dos tipos de afundamento. Trilhas de roda seguem o rolamento dos eixos de veículos.

Ondulação x Corrugação

Ambos são deformações transversais ao eixo da pista, decorrentes de diferentes fenômenos.

  • Ondulação: são decorrentes da consolidação diferencial do sub-leito, com comprimento de onda da ordem de metros;
Ondulações, comparadas a um medidor de escala.
  • Corrugação: em geral são deformações compensatórias, com depressões intercaladas com elevações, da ordem de centímetros. Sua presença é característica em regiões de aceleração e desaceleração de veículos, como pontos de ônibus.
Corrugações, menores do que as ondulações.

Exsudação

É o surgimento de ligante em abundância na superfície provocada pela sua migração através do revestimento. Pode ocorrer por segregação da massa, falhas na dosagem, cravamento de agregado na base e ascensão do ligante.

Com a expulsão do ligante, a exsudação deixa o pavimento com aspecto brilhante.

Desgaste/desagregação

Este defeito ocorre devido à falha de adesividade da mistura asfáltica; presença de água aprisionada e sobrepressão nos vazios; deficiência no teor de ligante do revestimento e na utilização de agregados com baixa resistência mecânica ou química.

A principal característica desse defeito é a aspereza do pavimento, associada à fácil remoção do agregado.

Com o desgaste/desagregação, os agregados tornam-se visíveis a olho nu.

Panela/buraco

Nosso amigo de todas as horas, o bom e velho buraco. Este defeito pode ser resultante de diversas causas como ações de intempéries, deficiência na compactação, umidade excessiva (drenagem), desagregação por falha de dosagem, falha na pintura de ligação ou na imprimação (aderência com as camadas subjacentes).

Buraco revela o material da base, um solo claro ligeiramente avermelhado, surgindo no meio da pista.

Escorregamento

Este defeito é caracterizado pelo deslocamento do revestimento em relação à camada subjacente. Sua causa principal é o excesso de ligante e em geral ocorre junto às depressões localizadas, trilhas de rodas e bordas.

Escorregamento do revestimento em direção à borda da pista, deixando vazios onde o revestimento se moveu.

Remendo

Fluxograma quando à divisão dos remendo. Superficial (RS) ou Profundo (RP)

Por fim, temos o remendo – presença constante nas vias urbanas. Trata-se do preenchimento de orifícios ou depressões com uma ou mais camadas do pavimento.

Ainda que o remendo seja um procedimento corretivo, ele representa um local de fragilidade do revestimento, levando desconforto aos usuários. Por outro lado, a execução adequada do remendo mitiga esse desconforto, trazendo ainda uma aparência melhor à via!

Dois tipos de remendos são apresentados. O remendo mal executado se destaca em relação ao revestimento e apresenta fissuras grandes. O remendo bem executado integra-se ao revestimento, apenas mais escuro.

E aí? Já sabe diferenciar todos os defeitos nos pavimentos da sua cidade?

Qualquer dúvida, fale conosco!

Para ler mais!

[1] Liedi Bernucci – Diagnóstico de defeitos, avaliação funcional e de aderência.

[2] Norma DNIT 005/2003 : Defeitos nos pavimentos flexíveis e semi-rígidos.

[3] FIESP – Pavimento de vias no Brasil: infraestrutura de transportes terrestres rodoviários e cadeias produtivas da pavimentação.

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